Transferência Segura: Técnicas para tirar o idoso da cama para a cadeira sem machucar
- Sanii

- 29 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Se você cuida de um familiar idoso com mobilidade reduzida, é muito provável que você termine o dia com aquela dor lombar persistente. Talvez você já tenha sentido aquele medo gelado de o idoso escorregar das suas mãos durante o banho ou na troca para a cadeira de rodas.
Eu sei exatamente como é essa sensação. Lidar com o peso de um corpo que não ajuda (o que chamamos de "peso morto") exige muito mais do que força física; exige técnica.
Muitas famílias, na melhor das intenções, acabam lesionando a própria coluna ou, pior, causando hematomas e até fraturas no idoso ao tentar movê-lo "no braço".
Como especialista, quero te ensinar que a transferência segura não é sobre ser forte. É sobre usar a física a seu favor (alavanca e contrapeso) e proteger a fragilidade de quem você ama. Vamos aprender o jeito certo?
O Erro Número 1: Nunca puxe pelos braços!
Antes de qualquer técnica, precisamos combinar uma regra de ouro: jamais puxe o idoso pelos braços ou pelas axilas.
A pele do idoso é fina como papel de seda e os ombros são articulações frágeis. Ao puxar pelos braços, você corre um risco altíssimo de causar uma luxação (deslocar o ombro) ou criar lesões na pele (skin tears) que demoram meses para cicatrizar.
O apoio deve ser sempre nas partes "duras" e centrais do corpo: escápulas (costas) e quadril (bacia).
Preparação: O cenário seguro
A transferência começa antes de você encostar no idoso. O ambiente precisa estar preparado para evitar o desastre:
Trave tudo: Se for passar para a cadeira de rodas ou de banho, verifique as travas das rodas duas vezes. Parece óbvio, mas a cadeira andar para trás no momento que o idoso senta é a causa número um de quedas graves dentro de casa.
Aproximação: Coloque a cadeira o mais próximo possível da cama, de preferência em um ângulo de 45 graus.
Altura: Se a cama for hospitalar, ajuste a altura para que os pés do idoso toquem o chão plenamente quando ele estiver sentado.
O Passo a passo da transferência (Técnica Pivot)
Essa é a técnica que usamos profissionalmente para idosos que têm alguma firmeza de tronco, mas não conseguem andar.
1. Rolando na Cama
Não tente levantar o idoso direto deitado de costas. Primeiro, dobre os joelhos dele. Com uma mão no ombro e outra no quadril, role-o de lado, virado para você.
2. Sentando na Beira (A Alavanca)
Aqui usamos a física. Com o idoso de lado, coloque as pernas dele para fora da cama (penduradas). Ao mesmo tempo, use seu braço para apoiar as costas dele e faça um movimento de alavanca: as pernas descem, o tronco sobe. Dica: Espere um minuto com ele sentado. A pressão arterial pode cair ao levantar rápido, causando tontura.
3. O Abraço Seguro
Fique de frente para o idoso. Peça para ele colocar as mãos nos seus ombros (ou na sua cintura), nunca no seu pescoço (para não lesionar sua cervical). Você deve segurar firmemente no quadril dele (ou na parte de trás da calça/cinto, se estiver firme).
4. O Bloqueio de Joelho
Posicione seus pés e joelhos de forma a "travar" os joelhos e pés do idoso. Isso impede que as pernas dele escorreguem para frente ou dobrem quando ele levantar.
5. O Giro (Pivot)
Não levante o peso com as costas curvadas! Mantenha sua coluna reta, dobre seus joelhos e faça força com as suas pernas. Conte até três e faça um movimento de giro (pivotear), tirando-o da cama e rodando o corpo até sentar na cadeira.
Proteja a sua coluna (você também importa)
Cuidar de alguém exige que você esteja inteiro. Se você travar a coluna, quem cuidará dele?
Mantenha o idoso sempre colado ao seu corpo durante a transferência. Quanto mais longe o peso estiver do seu centro de gravidade, mais pesada será a carga para a sua lombar.
Nunca torça o tronco enquanto carrega peso. Gire com os pés.
Quando uma pessoa só não basta?
Há limites. Se o idoso é muito pesado, está totalmente imóvel, ou se você já sente dores crônicas, insistir em fazer isso sozinho é perigoso para os dois.
Transferências de alta complexidade exigem, muitas vezes, duas pessoas ou o uso de um guincho de transferência. Reconhecer esse limite não é fraqueza, é responsabilidade.
Na Sanii, nossos cuidadores passam por treinamentos rigorosos de ergonomia e mobilização. Eles dominam as técnicas para mover pacientes acamados, trocar fraldas e realizar banhos sem causar dor, sem deixar marcas na pele e com total segurança.
Se o esforço físico do cuidado está cobrando um preço alto na sua saúde e na sua coluna, talvez seja o momento de dividir esse peso.
Não espere uma lesão acontecer para buscar ajuda. Entre em contato com a Sanii e veja como nossos profissionais podem assumir essa parte pesada da rotina, devolvendo o conforto para o seu familiar e o descanso para você.



Comentários